O Juramento - Capítulo Vinte e Um

" Me jogaram no banco e amarraram minhas pernas e mãos. "


 A van sacolejava no caminho. Por um tempo permanecemos na estrada, com ela em boas condições. Depois, fomos para uma estrada de terra, com o carro pulando e balançando na estrada irregular e com buracos. Percebi pelas vozes que no carro tinha o motorista - um homem - , uma mulher na parte da frente, pela voz mais abafada, e mais dois homens atrás, comigo. Eles riam e conversavam uns com os outros, como se não tivessem acabado de sequestrar alguém. Me perguntei quem seria, e por quê ? O único argumento que tinha: este era um sequestro " normal " , souberam do valor que tinha sendo princesa e só queriam um resgate. Então, estaria sendo executado por vampiros ou um mandante vampiro, para poderem saber do meu valor.



O carro foi parando e ouvi a porta se abrir. As vozes foram se afastando do carro e me puxaram pelo pé. Logo, um dos homens me pegou no colo. Não foram muitos passos até outra porta ser aberta. Andamos mais um pouco e mais uma porta sendo aberta. Mas era uma porta mais forte e pesada, provavelmente feita de ferro ou algum material parecido. A porta foi fechada com um barulho alto. Outra porta aberta e desta vez me sentaram em uma cadeira. Tiraram o capuz da minha cabeça. Meus olhos doeram com a luz da lâmpada, mas logo se ajustaram. 

Estava em um quarto muito pequeno e todo cinza chumbo. Um lâmpada com os fios aparecendo pendia do teto. No quarto inteiro avistei somente uma cama de ferro velha e de solteiro em um canto. Somente uma porta de saída. 
 Na minha frente, um garoto estava agachado. Não daria mais de 19 anos. Cabelos castanho claro em um topete de lado , olhos acinzentados, pele pálida, rosto anguloso. Ficou me observando com olhos curiosos. Estava tensa e ansiosa. Meu corpo todo doía. As cordas que estavam amarradas nos meus tornozelos e pulsos, atrás da cadeira, machucavam.
- Onde estou ? - Perguntei ao garoto.
Ele sorriu.
- Então a princesa fala. Vai ter que ficar aqui por um tempinho.
- Quem é você ?
- Me nome é Jace, mas pode me chamar de amor se preferir. - E sorriu de lado.
- O que estou fazendo aqui ?
- Só recebi ordens para trazê-la até aqui.
- O que vocês querem ?
- Só sei que você é valiosa. Por isso, tenho mais três amigos lá em cima. Então, não tente nenhuma gracinha. Vou ficar aqui com você.
- Essas amarras me machucam. - Disse, mexendo as pernas para enfatizar.
Ele me observou sério por um tempo, tentando descobrir se estava planejando algo.
- Fique na cama.
Ele soltou as amarras e me segurou pelo cotovelo com força. Me levou até a cama e sentou com força.
- Agora, fique aqui sentada e quietinha. Vou estar te observando. - Disse, abaixando e colocando seu rosto perto do meu, falando devagar como se fosse uma criança recebendo orientação. - Se tentar qualquer coisa, eu te mato.
Ele foi até ao lado da porta e levou a cadeira consigo. Se sentou e tirou um celular do bolço e ficou mexendo, balançando- se na cadeira.
O colchão era velho, fino e sujo. Cheio de manchas e buracos. Fedia a mofo. Fiquei com nojo e me sentei na beirada, encostando-me na cabeceira de ferro. 

Depois de uma hora de tensão e ansiedade, Jace dormiu. Percebi que a porta estava destrancada e não ouvira ninguém do lado de fora ou por perto. Pensei nas chances que tinha: Se conseguir alcançar a porta sem fazer barulho e sair, talvez não tivesse ninguém do lado de fora e pudesse achar uma saída alternativa e encontrar ajuda. Se fosse pega, Jace poderia me machucar ou matar. Ele dissera que sou valiosa, então, poderia estar blefando. Talvez só me machucasse. Não mataria alguém valioso. E pelo que intendi ele só recebeu ordens.

Levantei da cama com cuidado, me esforçando para não fazer a cama ranger ou eu gemer de dor. Levantei e minha cabeça girou. Ainda latejava da pancada. Consegui me equilibrar e tirei os sapatos. Fui na ponta dos pés até a porta. Ao chegar, olhei para Jace uma última vez. Girei a maçaneta com cuidado. Abri uma fresta e olhei para o corredor: vazio. Coloquei o pé para fora. Me puxaram pela cintura. Tão forte que chegou a doer. Fui empurrada até a parede. Quando percebi, Jace já estava em cima de mim. Me segurou pelo pescoço e levantou-me. Me pressionando contra a parede. Meus pés já não estavam mais tocando o chão. Era muito difícil de respirar, e ele apertava cada vez mais. Sua expressão transbordava raiva. Ele me fitava, olhando-me no fundo dos olhos. Via nos seus olhos ele planejando o melhor jeito de me matar.
- Agora você vai me matar ? - Perguntei. 
Ele deixou que meus pés tocassem o chão. Aproximou seu rosto. Senti seu hálito gelado no meu pescoço. Seu corpo estava tenso.
- Eu queria muito. - Se fosse em outra situação, veria o gesto como algo provocante. Senti que ele estava se segurando. Comprimindo a raiva. Ele afrouxou a mão no meu pescoço e levou até minha nuca. Segurou meu cabelo com força e me levou até a cama. 
- Ora, ora. Brincando com nossa bonequinha, Jace ? - Disse uma voz feminina no corredor, assim que Jace me jogou com força na cama.
- Isabel. - Ele disse, se virando na direção da porta.
- Qual o problema com a boneca ? - Isabel perguntou, encostando no batente da porta.
Seus cabelos eram bem vermelhos e os olhos castanhos. Vestida com uma calça jeans clara e uma regata apertada branca.
- Só resolveu dar uma de espertinha.
Ela entrou no quarto. Seu andar era calmo e confiante. Seus olhos pareciam de um felino pronto para atacar. Ela se aproximou da cama e chegou bem perto de mim. Virou a cabeça para os lados, pensativa enquanto me avaliava da cabeça aos pés. Pegou meu queixo com força e virou meu rosto para os lados. 
- Você não é tão bonita quanto dizem. Não ouviu falar que olhos azuis saíram de moda. E você devia pensar em mudar o corte de cabelo. 
Saiu de cima de mim e se aproximou de Jace.
- O chefe quer ela inteira.
Me sentei na cama, me aproximando, na menção no " chefe ".
- Quem está fazendo isso comigo ? - Perguntei.
- Ela está inteira. - Disse Jace, com um tom de impaciência. Provavelmente, ele queria sair dali tão rápido quanto eu.
- Não por muito tempo se você não se segurar.
- Sou tão confiável quanto você.
- Vocês não vão me responder ? - Perguntei, me aproximando mais.
- Logo ele vai ligar. E isso tudo acaba. Só precisa se segurar por mais alguns minutos. Depois, pode ir acabar com alguma família.
- Quem vai ligar ? Quem é o chefe ? - Perguntei.
Isabel olhou furiosa para mim. Se aproximou e levantou o braço. Me deu um tapa na cara com as costas da mão. Foi tão forte e caí com muita força na cama. Coloquei a mão no local do tapa e senti a pele mais áspera. Deixou marcas. Começou a arder e formigar. A dor no meu corpo se intensificou com a queda brusca. Senti lágrimas se formando. Engoli em seco e respirei fundo. Não iria chorar. Não ali. Não na frente deles, me mostrando fraca. 
- Será que você não consegue calar a boca ?  - Esbravejou Isabel. 
Ouvi Jace rindo. Serrei os punhos. A raiva começou a tomar conta de mim. Sentia ela queimar por dentro. Era difícil me controlar. Não podia fazer nada. Eles acabariam comigo. Tentei me acalmar. Na hora certa, teria a minha vingança.
- Fique aqui com a vadiazinha. - Cuspiu Isabel, e saiu.

Alguns minutos depois Isabel voltou, com um celular. 

- Algum problema ?  - Perguntou Jace, se levantando da cadeira ao notar o celular.
- Ele quer ter certeza de que ela está viva.
Ela deu o celular para Jace segurar e pegou as cordas do chão e a cadeira de Jace. Colocou-a no centro do quarto e mandou eu me sentar nela. Assim que sentei, ela amarrou meus tornozelos e pulsos, como antes. Tirou da parte de trás da calça uma faca. Examinou o objeto e passou de leve o dedo na parte mais afiada, no mínimo toque saiu um pouco de  sangue. Ela sorriu e se voltou para mim. 
Pegou o celular com Jace e começou a falar:
- Você quer uma prova de que ela está viva, né ? ... Ok, te darei uma. Você se lembra bem do preço do resgate ? ... Ótimo. Bem, docinho, aqui vai sua prova.
Ela colocou a lâmina da faca perto dos meus olhos e foi descendo. Mordi o lábio, esperando pela dor. Ela desceu a lâmina pela minha bochecha esquerda. A dor era muita. Queimava e ardia. Soltei gemidos de dor e Isabel aproximou o celular da minha orelha. 
- Serena. Serena, fala comigo. - Reconheci a voz de Harry. Transbordava preocupação.
- Harry ! Harry, me ajuda. Eles estão me machucando. Por favor, me ajuda.
Ele não respondeu, mas ouvi suas exclamações raivosas e sua respiração alterada. Isabel afastou o telefone e começou a falar com Harry.
- Seu bichinho está bem. Quando fizer o que mandamos, a terá de volta. Enquanto isso ...
Ela infincou a faca na minha perna. Gritei com a dor alucinante, queimando e ardendo. A dor se espalhou pela perna inteira. Quando gritei, ela aproximou o celular. Esperando que Harry também ouvisse. Ela riu desligou. 
Ela tirou a faca da minha perna e ouvimos um estrondo na parte de cima. Ela e Jace ficaram alertas. Mais um estrondo e gritos. Um vulto passou correndo na nossa frente e indo para o fundo do quarto. Vi nos olhos de Jace e Isabel o medo e a surpresa.
- Desculpem o atraso, o trânsito estava péssimo. - Ouvi a mesma voz rouca, baixa, ameaçadora e irônica de Harry. Transbordei de alívio. Ele viera me salvar.
Jace correu na direção dele. Não pude ver a briga, pois estava de costas. Só consegui ouvir os urros e batidas fortes. Durou pouco tempo até Harry vir na direção de Isabel. Ela se afastou e jogou a faca no chão. Ela estava em choque e com medo. 
- Não se preocupe. Não mato mulheres. - Disse Harry, entrando no meu campo de visão.
Rapidamente, Harry tirou uma estaca das costas e atirou na direção. Ela ficou enterrada na barriga de Isabel, que caiu para o lado. E ficou se remexendo e gemendo no chão.
- Foi burrice sua machucar ela. 
Ele se virou e nossos olhares se encontraram. Sua expressão foi de alívio, mas logo se tornou preocupado quando me examinou com os olhos e viu meu estado. Já tinha esquecido da dor, só pela felicidade de vê-lo. Ele se aproximou e tirou as amarras.
- Como você me encontrou ? - Perguntei, sem conseguir conter um sorriso, e logo em seguida senti as lágrimas se acumularem.
- Sempre vou te encontrar.

Depois de duas horas, estava na minha cama. Harry tinha descido até a cozinha. Consegui mancar até o espelho para ver o estado. Uma imagem horrível. Minha calça branca estava toda suja de sangue e com um corte, meus pulsos estavam marcados por causa da corda, levantei a blusa e minha barriga tinha um roxo de soco, meu pescoço tinha marcas de dedos, causadas por Jace, na bochecha esquerda tinha um longo corte, do outro lado, a marca do tapa de Isabel. Pelo reflexo do espelho, vi que Harry estava na porta, observando-me. Vendo que eu estava verificando meus machucados, seus olhos marejaram, e percebi que ele tinha olheiras, seu cabelo estava bagunçado e suas roupas estavam sujas e abatidas. Voltei a cama e ele se sentou comigo.

- Tenho uma coisa que pode te ajudar. - Ele disse, demonstrando cansaço na voz. 
Como não disse nada, ele mordeu o próprio pulso e deixou o sangue escorrer para um copo de plástico que tinha trazido. Ele colocou a tampinha no copo e me entregou.
- Ajuda se estiver no copo - Ele disse, me confortando.
Com hesitação, bebi o líquido. Foi nojento, mas preciso. Era espesso e tinha um gosto forte. Azedo. Engasguei um pouco no começo, mas continuei. Terminei de beber e me senti melhor. Harry abriu um pouco mais o buraco na minha perna, verificando o ferimento, que começara a cicatrizar. Senti que os do meus rosto e pescoço também. Já não sentia mais a dor no estômago. Quando levantei a blusa, estava curado. Estava totalmente curada.

Tomei um banho quente e demorado. Esperando que a água pudesse levar todos os acontecimentos do dia consigo para o ralo. Saí do banho e coloquei uma roupa leve. Voltando ao quarto, Harry estava sentado cabisbaixo na minha cama. Deu mais alguns passos em sua direção e ele me olhou nos olhos.

- Precisamos conversar. -Ele disse. E pela sua expressão, tive certeza de que não iria gostar de ouvir.


8 comentários :

Bibi Abdalla disse... Responder

Aaaaaaa eu ameiiii principalmente o eu vou sempre te encontrar <3 pleaseee continua logoo

Manu Ribello disse... Responder

Sério, não vejo a hora desses dois se amarem forever. Eu to me remoendo só de pensar nessa conversar dos dois. Ta maravilhoso , continua logo pelo amor do Harry e da Serena.
Vlw, flw ♥♥♥♥♥♥♥

Joyce Rayane Dos Santos Silva disse... Responder

Aaaaaaaaaaaaaah continuaaaaa logooo ♥ ♥ ♥ ta perfeita ♥ ♥

Anônimo disse... Responder

Por favor continua ta perfeita..Agora estou muito curiosa,sobre essa conversa hahaha.

Anônimo disse... Responder

Contínua please!

Thais Ramos disse... Responder

Ok, ok. Isso está bom.
BOM NÃO CARAI. ISSO TA MUUUUITO BOM! Continuuuua <3

Nicole M. disse... Responder

Obrigada mesmo amores >.<

Soul of fic's disse... Responder
Este comentário foi removido pelo autor.

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