O Juramento, A Historia.


Londres,  Inglaterra
Dois meses atrás.


Lá estava eu, do outro lado da rua. Esperando-a. 
Maldito Tio Éuden. O amaldiçoarei para sempre. Mas na realidade, eu sou o amaldiçoado. Amaldiçoado por esse juramento. 
Sinto-me como um objeto de troca. De uso exclusivo do rei. Desde quando uma pessoa deve se casar com a outra, sem nem conhecê-la, ou amá-la ? 
Eu, falando de amor ! O que está acontecendo com você Harry ? 
Finalmente, ela aparece na escola. Aperto os olhos, tentando ter uma melhor visão. Ela para, se vira e olha diretamente para mim. Me alivia estar usando boné. Ela não conseguirá ver meu rosto. Continuo lá, encarando-a, sustentando seu olhar.  Ela aperta os olhos, perturbada. Assim que me analisa por inteiro, entra na escola, percebendo que não sou nenhum estudante.

Em uma boate, tentei aliviar meus pensamentos. Pensamentos sobre ela. A música alta, doía em meus ouvidos. Tirei os cabelos do pescoço da garota que dançava comigo, e a mordi. Em meio a toda confusão de pessoas e músicas, ninguém percebera. Ninguém nunca percebe. Já estou acostumado a fugir do castelo à noite e ir para boates. Fugir de regras rigorosas e juramentos. Por um momento, imaginei Serena no lugar da garota. Controle-se Harry ! Mas ela não sai da minha cabeça. Preciso vê-la, ou enlouquecerei nesta boate. 

Em meio as árvores, observo-a sair de casa. Está indo para a cafeteria. 
Ela senta e faz seu pedido. Não aguento e entro pelas portas duplas. Vou indo em sua direção, e sento á sua frente. Que diabos está fazendo, Harry ? Era para ter ido para casa antes do anoitecer. Nem deveria ter vindo. Ela ainda não sabe do juramento. Ela não sabe de nada sobre nós, vampiros. Se descobrirem que vim vê-la, haverá punições. Mas não resisti a ideia de vê-la, antes de tudo começar a acontecer. Depois disso, ela provavelmente odiará tudo. Me odiará.
Ela levanta a cabeça, e seus olhos azuis encontram os meus, pondo fim a todas as minhas preocupações. Não vi nada mais lindo. A imagem de seus cabelos castanhos e longos balançando ao vento, voltam a minha mente. Sua pele pálida e perfeita. Por um momento, pego-me levantando a mão para tocá-la, mas contenho-me. Nunca vi olhos tão lindos, de um azul forte e brilhante. Ela me encara profundamente. E por um momento, parece que pode ver através de mim. Sinto-me exposto. Ninguém me causou isso antes.
Ela ergue uma sobrancelha.
- Com licença ? - Diz. Sua voz me atinge, em um tom baixo e suave. Mas há um anota de arrogância. Sorrio para ela, ainda escondendo meu rosto com o boné.
Não querendo mais me esconder meu rosto, tiro o boné, ainda sorrindo. Ela fixa seus olhos mais uma vez em mim. Ela me avalia por inteiro e sinto-me mais uma vez exposto. Seu doce rosto, ganha um rubor rosa pálido. Solta um ar pesado, e o rubor se dissipa.
- Eu te conheço ? - Ela pergunta, fitando-me.
Sorrio de canto.
- Meu nome é Harry.
- Eu já te vim em algum lugar ? - Ela está pensativa. Com certeza, lembrou de mim na escola.
- Já percebi que ainda não te contaram.
Minhas suspeitas se confirmam. Com 16 anos, já poderia saber de tudo. Mas seu tio protetor não contou. Todos esperaram esse momento, menos eu e seu tio. Não queremos que ela entre no nosso mundo.
 - Não me contaram o que ? Quem não me contou ? 
- Na hora certa você vai saber.
Não queria jogar tudo em cima dela. Nem podia. Somente seu tio.
- Eu não gosto e não posso falar com estranhos, então com licença. - Falou, elevando o tom do voz, com uma nota de arrogância.
Ela jogou o dinheiro do café na mesa e saiu apressada. Me surpreendeu sua atitude. Muitas teriam ficado e jogado seu charme para cima de mim. Todos esses anos foram assim. Mas ela não se deixa abalar por um rostinho bonito. E isso me incomoda. É desconcertante. Não sou atraente o suficiente para ela ? . Pergunto-me se a atinjo. 
Já que estou aqui, por quê não ficar ? . Hora da diversão.
Corro para chegar em sua casa antes. Percebo que sua janela está somente encostada e pulo. Ouço-a chegando em casa, e deito-me em sua cama, cruzando o braço atrás da cabeça. Passo os dedos pelos lençóis, pensado em nós dois embolados neles. Ela entra no banheiro. Ao sair e me ver na cama, leva um susto e grita.
- O que você está fazendo aqui ? - Ela tenta manter seu tom normal, mas percebo o tremor de suas mãos.
- Que falta de modos, me deixar sozinho na cafeteria. - Digo, em um tom irônico.
- Como você entrou em casa ? É melhor você ir embora ou eu vou chamar a polícia.
Ninguém poderia me tirar daquele quarto. Muito menos a polícia.
Levanto-me e começo a andar em sua direção. Não aguentava mais aquele espaço entre nossos corpos. 
- Nós precisamos conversar Serena. - Adorava o jeito que seu nome se movia em minha língua.
Ela recuava a cada investida minha. Seus olhos azuis estavam maiores. Assustados.
- Eu nem te conheço. 
Ela olhou de soslaio para a porta, e entendi o que queria fazer.
- Nem pense que seria rápida o bastante. - Digo, acrescentando um tom sério em minha voz.
Ela não me ouve e corre para a porta. Ela é teimosa. Antes que pudesse ultrapassá-la, fecho-a, ainda atrás dela. Minha respiração começou a ficar irregular. Girei-a, fazendo-a ficar de frente para mim. Prensando-a contra a porta. É desconcertante o jeito que olha para mim.
 - Eu só quero conversar. Senta na cama, por favor. Eu não quero precisar usar a violência.
 Jamais usaria de violência á ela, mas ela não sabia. Era o único modo de fazê-la me ouvir.
Abri espaço e lentamente ela foi até a cama. Sentou-se e fiquei ao seu lado. Fiquei fitando-a. Avaliando-a. Era muito atraente. E vendo-a sentada na cama, não consegui afastar pensamentos maliciosos. Peguei-me pensando em como seu corpo se encaixaria perfeitamente no meu. Concentre-se. Seus olhos não desgrudaram do meu um segundo. Não devia estar ali. Não queria ver esses olhos vasculhando minha alma negra. Não queria trazê-la para o meu mundo sombrio. 
- Você pode não me conhecer, mas eu te conheço. - Falei, voltando á realidade.
- Como você me conhece ? - Sua voz estava mais baixa. Mais sexy.
 - Sua mãe já te contou a história do príncipe vampiro ?
Meus tios me contavam quando era pequeno. E os pais dela contavam á ela. Era a história que todos veneravam na Romênia. Nossa história.
- O que a história tem de importante ?
- É a sua história.
Ela abriu a boca. Percebi que estava começando a ficar brava. Sus bochechas ficando vermelhas.
- Me dá o seu celular. - Pedi, antes que ela me xingasse.
- O que ?
- Eu não vou roubar ele, só me empresta. 
Ela tirou o celular da calça e me entregou. Disquei o número de Phillip.
Lembrei-o do juramento. A garota estava pronta e tinha de ser feito. Meus tios ficariam furiosos caso fosse quebrado. 
Desliguei o telefone e ela me olhava com olhos arregalados.
- Era meu tio ? 
- Sim. Parece que o juramento vai ser cumprido. Por mim ele nunca seria, mas não posso quebrar a tradição e desobedecer meus tios.  
Percebi meu tom duro e frio. Não queria usá-lo. Não com ela. Mas com tantos anos de costume, ele aparece facilmente.
- Você está me deixando confusa. Como meu tio te conhece ? Que juramento é esse ? E a garota que está pronta sou eu ? 
Ela falava muito rápido. Podia ouvir seu coração acelerado.
- Calma linda. Mas eu não posso te contar nada antes da hora. Eu tenho que ir.
Disse, não contendo um sorriso.
Ela mordeu o lábio. Não conseguia afastar meus olhos de sua boca. Isso me deixara louco. Queria agarrá-la ali mesmo. Morder aquele lábio. Sentir sua pele perfeita roçando na minha.
Você veio aqui só para isso ? Ligar para o meu tio ?. - Sua pergunta me traz de volta á realidade.
Não consigo conter um sorriso pervertido no rosto.
- Queria que eu fizesse mais o que aqui no seu quarto ?
Suas bochechas ficam ruborizadas de novo e morde o lábio. Cristo, que lábios. Tenho de me controlar. 
- É melhor você ir embora mesmo.
- Não adianta ligar para o seu tio e perguntar, pois ele não pode dizer nada. Nos vemos depois da sua viagem.
Eu me aproximei, e ela continuava a recuar. Acabou ficando sem saída, entre em mim e a parede. Me aproximei a ponto de sentir sua respiração quente em meu rosto. E imaginei seu corpo quente sendo prensado contra o meu, esquentando-me. Beijo-lhe o canto da boca. Tendo de me controlar para não avançar. Senti ela estremer ao meu toque. Ela se sente atraída por mim. Saber disso é imensamente prazeroso.
Me afastei e abri a janela, preparando-me para pular.
- O que você quis dizer com ' nos vemos depois da viagem ' ? - Ela diz, interrompendo-me.
- Até mais princesa. 
Pisco para ela, que morde o lábio em resposta. Pulo a janela e sigo meu caminho.
Foi muito difícil deixá-la. Mas não podia ficar e deixar que ela visse minha alma. Somente a ideia daqueles olhos azuis penetrando minha alma me desconcertava. 
Durante minha viagem de volta á Romênia, não consegui tirá-la da minha cabeça. Ninguém nunca me afetou assim. A imagem de seus olhos fitando-me, seu perfume, sua pele quente, como mordia o lábio. Oh ! Aqueles lábios.
Sabia que tinha de vê-la de novo. Soube desde que seus olhos encontraram os meus pela primeira vez. Aqueles olhos azuis que me perseguem até em sonhos. Mas preciso vê-la. Preciso tê-la. Eu a desejo. 
Agora tenho de esperar.

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