Chapter I: Kidnapped

Um ano e dois meses antes...
Londres, 2011
Allison
               Faça uma redação de cinquenta linhas, o professor disse. Eu odiava a escola, e até hoje me pergunto o motivo de uma pessoa não nascer sabendo de tudo. Bufei e olhei para o meu caderno. Uma redação de cinquenta linhas? Como eu faria isso? Então eu olhei para a lousa. Lá estava escrito: A marca de uma lágrima, Pedro Bandeira. Jennifer, a professora de literatura era obcecada por livros brasileiros, e fazia questão de indicar os livros tanto para os alunos como para os demais professores da escola. Infelizmente eu fui obrigada a ler o livro e, detesto admitir, mas é realmente muito bom, apesar de ser um pouco meloso. Será que Boby iria falar alguma coisa se eu desse a minha opinião sobre o livro? Acho que não, afinal, ele não deu um tema para a redação, apenas que seria sobre o livro. Peguei meu lápis e agradeci por a ponta estar perfeitamente apontada. Pensei em como escrever, então decidi começar.
               
               Ao terminar, entreguei para Boby que passou uma hora e meia olhando para mim enquanto eu escrevia aquela maldita redação. Não me importei com erros ortográficos ou coisa do tipo. Dei um sorriso e saí da sala completamente alegre por finalmente poder ir para a minha casa e aproveitar o restante do meu dia completamente chato e nada interessante. Geralmente quando eu saia da escola ia diretamente para uma cafeteria tomar um delicioso capuccino ou algo do tipo, mas hoje não, Mayra disse que iriamos para o shopping dar um bom trato no visual e comprar novas peças de roupa para o guarda-roupa. 

               Eu não era o tipo de garota que adorava ir para o shopping, mas Mayra era e fazia questão de deixar isso claro para toda a escola. As pessoas achavam estranho o fato das mais populares da escola serem uma bruta e a outra ser uma patricinha. Mas o mais louco disso tudo era que éramos melhores amigas desde quando começamos a escola, quando tínhamos quatro anos de idade, pra ser mais exata nas minhas contas. A encontrei ouvindo música em seu porsche quando sai da escola. Ao me notar, ela abaixou um pouco o volume do rádio e acenou com a mão, ela parecia um pouco brava, mas ela tinha toda a razão. Se fosse comigo, não ficaria uma hora e meia esperando a encrenqueira da escola ser liberada da detenção. 

              — Quando um garoto te chamar de bruta, corte as bolas dele quando estiverem transando.
              — Só se eu tiver a certeza que você faz isso quando algum lhe chama de gorda.
              — Adoro a sensação de vê-los implorando para não serem castrados! — Ela disse e eu ri
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              — Mayra Goodwin, alguém já disse para você o quando é má?
              — Não é novidade. — Coloquei os cintos e ri enquanto Mayra falava — Eles sempre falam isso.
              — Assim como também falam que nossa amizade é só para ter ibope na escola?
              — Sim. Não ligue para o que os outros falam, SeuNome, eles sempre gostam de inventar histórias e fofocarem sobre a vida alheia entre si. Certamente serão adultos gordos que passarão o dia assistindo TV, tomando cerveja e comendo porcarias o dia inteiro.
              — Do estilo do tio Philip?
              — É, isso aí. Do estilo do tio Philip.
              — Mayra, isso é horrível mas eu tenho que concordar com você. — A morena riu e deu partida no carro — Liga esse rádio pois eu não tô nem um pouco afim de ir até o shopping no silêncio mortal.
              — Okay, senhorita barulho total.

              Ligando o rádio, Mayra deu partida no carro e não se preocupou em ir numa grande velocidade. Mayra tinha bastante grana, caso recebesse uma multa, não se importaria em ter de pagar uma quantia alta. Tocava Timber no rádio, e eu comecei a cantar, sendo acompanhada por Mayra. Nós gostávamos de cantar e tocar instrumentos, e até montamos uma dupla. Eu toco, e nós duas cantamos na garagem da minha humilde casa comparada a de Mayra. Lembrei-me da redação. Agrr! Odeio escrever redações, são simplesmente irritantes e eu simplesmente não sei o que escrever. E quando escrevo, é sempre acompanhado de meus maravilhosos fones de ouvidos, coisa que o professor simplesmente substituto da senhorita Jennifer parecia não saber o que era.

              — Acho que deveríamos passar para o bar. — Disse Mayra
              — O quê? — Perguntei
              — Deveríamos parar de tocar na garagem um pouco e começar a cantar num bar. Embora eu tenha dinheiro o suficiente para poder lançar um CD agora, prefiro começar pela forma tradicional. — A encarei e não acreditei no que dizia
              — Não sabia que era humilde!
              — Allison, acredite, tem muita coisa que você não sabe sobre minha pessoa.
              — Por qual motivo eu estou achando eu vou me espantar se eu descobrir?
              — Quer saber a verdade? — Assenti — Não quero ser chamada de trapaceira!
              — Mayra, você já é uma trapaceira!

              Mayra assentiu e continuou a dirigir sem dizer mais nenhuma palavra. Diminuiu a velocidade ao lembrar-se de que os seus pais disseram que iriam cortar a sua mesada caso recebesse mais alguma multa. E eu concordava com eles. Quantas vezes quase não sofremos um acidente feio por conta da velocidade? Ah, foram muitas! Tio Philip até costumava a dizer que éramos sortudas. Tio Philip era o irmão de pai de Mayra, o único no qual não recebeu a sua herança. Mayra me dizia que seu avô achava que Philip era fruto de uma suposta traição, o que nunca fora confirmado. Por não considerá-lo seu filho, a única coisa que ele lhe deu foi uma pequena casa para morar. Ele era um homem de cinquenta e poucos anos. Uma barba que estava começando a ficar longa demais, um pouco baixo e não era tão gordo, mas era gordo. Mayra gostava mais dele do que o próprio pai, e sempre que podíamos, iríamos lá para comer alguma coisa feita pela própria Mayra e eu o desafiar numa partida de vídeo-game.

              — Pensando melhor... Você quer tomar um café antes de irmos fazer as compras? Abriu uma cafeteria no shopping e dizem que o café é maravilhoso! — Mayra falou ao estacionar o carro na garagem do shopping
              — Sabe que eu não recuso uma boa xícara de café.
              — Deveria experimentar o chá. — Saí do carro e fiz uma careta — É tão bom quanto café.
              — Infelizmente eu vou ter que descordar com a senhorita cor de rosa.

              Diferente da minha mãe, eu odiava chá, não gostava e tinha ânsia quando sentia o cheiro daquele líquido. Não gostava de lembrar de minha mãe, fazia-me ter mais ódio dela do que eu já tinha. Aos meus quinze anos, ela me abandonou para poder fugir da escola, e então fui "adotada" pela nossa vizinha, que infelizmente está morta e deixou a sua humilde casa para mim, onde moro agora, e torcendo para que o governo não descubra que sou de menor e estou sozinha nesse mundo cruel e egoísta.

              O shopping estava cheio. Haveria um show de humor na praça de alimentação, mas eu e Mayra não estávamos a fim de ver, preferíamos ficar na casa de tio Philip comendo chocolate e o levando para a academia. Ele definitivamente precisava emagrecer um pouco. Quase sessenta anos de idade e não tem esposa e nem filhos. Ele precisava de um herdeiro, não podia morrer e deixar as poucas coisas que tinha abandonadas
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              — Você conseguiu ficar com o gatinho do segundo ano? — Perguntei
              — Allison, se você soubesse o quanto aquele garoto beija bem! — Mayra sorriu ao lembrar do garoto. Ela estava gamada nele, e isso ela não podia negar — Você deveria ficar com ele também.
              — Eu o quê? Mayra, eu não vou ficar com um garoto no qual você está afim.
              — Eu sei. — Mayra deu um sorriso e pegou em minhas bochechas — Por isso que eu te ofereci!

              Eu adorava esse jeito irônico de Mayra, achava que isso a fazia ser diferente de outras pessoas. Claro que todos têm a sua ironia, mas a de Mayra era completamente alegre e humorada, do jeito que ela realmente era. Entramos na tal nova cafeteria, e quando experimentei, o café era realmente muito bom. Um chocolate muito bem feito e calda de avelã que me fazia ir até as nuvens. Sempre gostei de starbucks, mas nunca dispensei uma cafeteria nova em Londres. Todas com um café melhor do que o outro, e para a minha felicidade, o que não me faltava era opção de café.

              — Como você consegue beber café estando tão quente? — Mayra perguntou
              — Costume de família.
              — Pensei que tinha dito que não havia herdado nada da sua família.
              — Costumes sim, dinheiro, imóveis ou qualquer outra coisa eu não herdei.
              — Seu pai você nem sabe quem é, e a sua mãe era uma egoísta.
              — Mas o importante é que agora eles não fazem parte da minha linda e maravilhosa vida. — Dei um último gole no café e joguei o copo na sexta de lixo. — Vamos fazer a reforma no guarda roupas ou não?
              — Urgentemente! Você está precisando de novas roupas!

              Quase não conseguimos comprar alguma roupa. A loja estava definitivamente lotada e tio Philip ficaria preocupado se chegássemos um minuto sequer atrasadas. Combinamos de estar lá ás 18:20, e já eram 18:08. A fila para poder pagar as roupas estava enorme, o que significava que chegaríamos bastante atrasadas na casa de tio Philip e ele com certeza chamaria a polícia para poder nos procurar. Ele odiava atrasos, especialmente vindos de sua sobrinha preferida das nove que ele tinha. Philip tinha três irmãos, e cada um deles tinham três filhos. Meio irônico, mas a família Goodwin sempre foi irônica e com costumes estranhos para mim.

              Ao chegarmos perto do caixa, percebi um olhar sobre mim. Olhei para a saída da loja e vi um garoto meio pálido, cabelos cacheados e encantadores olhos verdes olhando para mim, ou pelo menos parecia que ele estava olhando para mim. Tentei ignorar, mas eu tinha a estranha sensação de que eu não estaria na casa de tio Philip esta noite, ou pelo menos, não nas próximas seguintes horas. O garoto ainda me olhava, com uma incerteza na expressão, e uma certa ira no olhar. Quem era esse estranho garoto que não parava de me olhar?
              A mulher do caixa chamou-me a atenção quando percebeu que eu não havia notado quando Mayra terminou de pagar as suas centenas de roupas. Dei mais uma olhada para fora da loja e o garoto havia sumido. Paguei minhas duas camisas e três calças jeans enquanto ouvia Mayra falando que eu deveria ter comprado um vestido azul cobalto no qual ela dizia que havia ficado perfeito em meu corpo. Sem lhe dar ouvidos, saí da loja e desejei não encontrar aquele garoto que me encarava. Certo, ele era uma beleza de homem, mas parecia que ele queria me estuprar ou algo do gênero. Pelos seus olhos que estavam vermelhos, parecia que ele havia acabado de se drogar ou estava completamente bêbado. Espero que eu não o encontre novamente.

              Ria com Mayra até o carro, onde o mesmo se encontrava com os pneus furados e os vidros quebrados. A patricinha ao meu lado se aproximou do carro e confirmou-me que não haviam levado nada. Nem dinheiro, nem rádio, e nem mesmo o valioso anel que estava no porta-luvas do carro. Quem tenha feito aquilo, não queria assaltar-nos, mas sim assustar tanto a mim quando a Mayra. Quando menos esperei, uma pedra foi jogada contra a cabeça de Mayra que desmaiou logo em seguida. Gritei assustada, e quando tentei ajudá-la, quatro homens armados apareceram. Não pude ver seus rostos, pois estavam cobertos por mascaras. Eles apontavam as armas para mim, e imediatamente deixei a sacola com minhas roupas caírem e ajoelhei-me no chão para pedir a Deus para não deixar que nada de ruim acontecesse comigo e que Mayra estivesse bem. Um deles aproximou-se e começou a cochichar com o outro, enquanto ainda apontavam as armas para mim. É ela, sim! Um dos homens dizem, e quanto mais eu orava, mais assustada eu ficava com aquelas armas apontadas para mim. Um que estava atrás de mim bateu forte em minha cabeça com algo no qual não pude identificar, e quando dei por mim, eu já não conseguia ver absolutamente mais nada. Tudo o que via era escuridão.
CONTINUA!

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Decidi que vou passar o dia de amanhã tentando ganhar a minha aposta, por isso, deixarei logo o capítulo postado para vocês não terem que esperar por muito tempo.
A fanfic inteira será narrada somente por dois personagens: Allison e Zayn, mas caso queiram um capítulo bônus com o ponto de vista de outro personagem, é só pedir que eu faço, mas saibam que como será apenas um bônus, não será tão envolvido na fanfic.
Separei uns trinca capítulos, e nesses trinta capítulos, cada POV de Allison e Zayn será em no mínimo três capítulos.
Não entendeu? Deixe-me explicar!
Capítulo 1, 2 e 3 serão narrados pela Allison. Capítulo 4, 5 e 6 pelo Zayn, depois a Allison narra mais três capítulos e logo depois o Zayn e assim vai seguindo até chegar no último capítulo no qual terminará num POV do Zayn.
Eu acredito que assim, vocês possam entender melhor as duas versões da história, e como tudo está acontecendo para os dois e como eles sentem em relação a todas as coisas que irão acontecer com os dois.
Bem, eu espero que tenham gostado desse primeiro capítulo!

Um comentário :

Larissa Souza disse... Responder

Perfeição cara :3 de coração <3

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